Devocional

Rute 1

Reflexão

Ruth Capítulo 1 O capítulo apresenta um cenário de perda, sofrimento e incerteza, mas também estabelece o fundamento para a demonstração da providência de Deus ao longo do livro. Embora a narrativa comece em meio à dor, ela mostrará que o Senhor continua governando como quando seus propósitos parecem ocultos. O texto se passa nos dias em que julgavam os juízes. Essa informação não é apenas uma referência cronológica, ela conecta diretamente o livro de Rut ao período de profunda instabilidade espiritual descrito no livro de Juízes. Logo no início, somos apresentados a família de Belém de Judá. Elimelec, sua esposa Noemi e seus dois filhos, Malón e Quilón. Uma severa fome estava atingindo aquela região onde essa família morava. E isso acaba levando essa família a buscar sobrevivência para a terra de Moab. A decisão de deixar Belém carrega um significado importante. O nome Belén significa Casa do Pão, mas justamente na Casa do Pão faltava limento. Além disso, Moab era uma nação historicamente hostil a Israel. Humanamente falando, a mudança crescia uma solução lógica, mas o capítulo logo mostrará que a jornada trará consequências dolorosas. Ao chegar em Moab, a situação da família piora drasticamente. Elimelec morre deixando Noemi viva. Posteriormente, seus dois filhos se casam com mulheres Moabitas chamadas Orfa e Ruth. Contudo, após cerca de 10 anos, Malón e Quilón também acabam morrendo. A narrativa enfatiza a dimensão da tragédia. Noemi perde o marido e os dois filhos. Na cultura da época isso representava não apenas sofrimento emocional, mas também uma enorme vulnerabilidade genômica e social. Ela se encontra sem proteção, sem herdeiros e sem perspectivas para o futuro. No momento, o capítulo nos apresenta uma das grandes perguntas da vida cristã. Como entender a ação de Deus quando as circunstâncias parecem caminhar apenas em direção à perda? Noemi não consegue enxergar o que Deus está fazendo. Tudo que chega pela frente é a dor, a dor da perda do marido e agora a dor da perda de dois filhos. Ao ouvir que o Senhor havia visitado seu povo e trazido alimento novamente a Belém, Noemi decide retornar para sua terra. Ela então inicia a viagem acompanhada de suas duas filhas. Durante o caminho, Noemi tenta convencê-las a permanecer em Moab. Sua argumentação revela o profundo desânimo que domina seu coração. Ela acredita não ter mais nada a oferecer, não ver possibilidade de restauração nem para si e nem para elas. Orfa, após muita decisão, decide retornar para sua povo e também para seus deuses. Sua decisão é compreensível do ponto de vista humano. Ela escolhe permanecer em sua terra, próxima de sua família e de suas referências culturais. Ruth, entretanto, toma uma decisão extraordinária. Em um dos mais conhecidos do antigo testamento era declara, não instes para que te deixes, não instes para que me obrigue a deixá-la, porque aonde quer que fores, eu irei e onde quer que pousares, ali o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus. Essa declaração vai muito além de lealdade familiar. Ruth está abandonando sua antiga identidade religiosa para confiar no Deus Israel. Sua decisão representa uma verdadeira conversão. Ela escolhe caminhar pela fé, mesmo sem saber o que vai acontecer adiante. Enquanto Noemi enxerga apenas vazio, Ruth demonstra uma confiança admirável. Ela deixa sua terra, sua cultura e sua segurança para seguir o Deus que passou a reconhecer como um único Deus verdadeiro. Quando chega bem, a cidade inteira se agita. Muitos se lembram de Noemi e ficam impressionados com sua situação. Nesse momento, ela faz uma declaração que revela sua profunda margoura. Ela diz, não me chame Noemi, chame de Mara. O nome Noemi significa agradável, enquanto Mara significa amarga. Na visão dela, sua história havia se tornado amarga e cheia de dor. Noemi afirma que saiu de Belém, cheia e estava retornando agora vazia. Sua interpretação da realidade de fato é compreensível diante das perdas sofridas. Mas o leitor já começa a perceber que algo que ela ainda não conseguia enxergar pela frente. Ela não voltou vazia, ao seu lado estava Ruth, instrumento da providência divina para os acontecimentos que ainda iriam acontecer. Essa é uma das grandes lições do capítulo. Muitas vezes avaliamos nossa vida apenas porque perdemos sem perceber aquilo que Deus ainda está fazendo.