Devocional

2 Samuel 21 e 22

Reflexão

Capítulo 21 do Segundo Livro de Samuel A fome de três anos provocada pela quebra da aliança feita com os gibionitas demonstra tanto a justiça quanto a preservação divina sobre o reinado de Davi. O capítulo apresenta duas narrativas: a primeira registra a fome e as consequências da violência praticada por Saul contra os ionitas, enquanto a segunda narra uma série de batalhas contra os filisteus. Em seguida ao episódio da fome, Davi procura reparar a injustiça cometida com os gibionites. Eles recusam compensação financeira e pedem que sete descendentes de Saul lhes sejam entregues para execução pública. Davi atende o pedido, preservando apenas Mefibosete, filho de Jonatas, por causa da aliança anteriormente firmada entre ambos. O relato não descreve uma vingança pessoal, mas uma reparação dentro da lógica da justiça pactual do Antigo Testamento. A narrativa demonstra que a fidelidade às alianças possui grande importância na teologia bíblica. Os versículos 10 a 14 destacam a impressionante atitude de Rispa, mãe de dois dos executados. Durante meses, ela protege os corpos das aves e dos animais, permanecendo em vigília até que fossem devidamente sepultados. Os versículos 15 a 22 do capítulo 21 registram uma série de batalhas contra os filisteus. Em um desses confrontos, Davi, já avançado em idade, quase é morto por Isbobe, descendente dos gigantes. Abisai o salva e os soldados decidem que o rei não deve mais participar de forma direta das batalhas, preservando então a lâmpada de Israel. A expressão indica que Davi era o principal representante da esperança da nação e da continuidade da promessa da vítica. O texto demonstra que Deus não apenas levanta um líder, mas forma uma geração de servos capazes de continuar sua obra. Capítulo 22 do Segundo Livro de Samuel O cântico de livramento de Davi é narrado nos versículos 1 a 51. Esse capítulo constitui um dos mais belos hinos de louvor das Escrituras, reproduzindo quase integralmente o Salmo 18. Davi canta ao Senhor reconhecendo que todas as suas vitórias tiveram origem exclusivamente na graça divina. Logo na abertura, Deus é descrito por diversas metáforas: rocha, fortaleza, libertador, escudo, força da salvação e autorefúgio. Os versículos 5 a 20 utilizam linguagem poética grandiosa para descrever a intervenção de Deus em favor de Davi. O Senhor é retratado como rei soberano que faz tremer a criação para socorrer o seu povo. A linguagem lembra acontecimentos como no Sinai, como era descrito em Êxodo 19. Os versículos 21 a 31 frequentemente levantam dúvidas por afirmarem que Deus recompensou Davi segundo a sua justiça. Essa declaração deve ser entendida dentro do contexto da aliança e da perseguição de Saul. Davi reconhece que foi Deus quem o fortaleceu para as batalhas. Lhe concedeu habilidade, firmeza e vitória sobre todos os inimigos. Nenhuma conquista pode ser atribuída ao talento militar do rei. Tudo resulta da ação soberana do Senhor. O cântico termina exaltando a fidelidade eterna de Deus à aliança da vítica, dos versículos 47 a 51. Davi proclama que o Senhor concede grandes livramentos ao seu rei e demonstra misericórdia ao seu ungido, a Davi e a sua descendência para sempre. Essa declaração ultrapassa o próprio reinado de Davi e aponta para a promessa messiânica de Segundo Samuel, capítulo 7, que encontra seu cumprimento definitivo em Jesus Cristo.