Devocional
Gênesis 16
Reflexão
Gênesis capítulo 16 Gênesis 16 se insere no intervalo entre a promessa divina de Gênesis 15 e o seu cumprimento em Gênesis 21. Esse tempo de espera torna-se o terreno fértil para o desenvolvimento da ansiedade humana e na tentativa de apresentar soluções que parecem razoáveis aos nossos olhos, porém que não procedem da fé. Em Gênesis 16 versículos 1 a 5 vemos que na medida em que o tempo estava passando, trazia também suas consequências na vida de Sarai, pois ela estava envelhecendo e ainda continuava sem filhos. Diante deste cenário e no desespero de tentar resolver as coisas, ela propõe uma alternativa que era comum naquele tempo do Antigo Oriente, gerar uma descendência por meio de uma serva. Este costume já era praticado entre os povos pagãos por meio do código de Hamurab, em que permitia que um casal pudesse manter a sua descendência por meio de uma serva. Essa prática era aceita e praticada entre os povos pagãos não era vista como algo errado, mas sim como algo necessário. No versículo 6, vemos Sarai escolhendo a sua serva Agar, que era egípcia e estrangeira, para ser o meio pelo qual a descendência de Abraão seria mantida. Porém, quando Agar engravida, as consequências da péssima escolha de Sarai e Abraão começaram a acontecer. Agar passa a desprezar sua senhora e, por consequência, Sarai passa a humilhar Agar. E esta humilhação é tão grande que Agar decide abandonar tudo e fugir para o deserto. Deserto que era um lugar em que a solidão seria a sua principal companheira e a morte um destino certo para ela. No versículo 7 encontramos a expressão "o anjo do Senhor", que na tradição cristã é reconhecido como uma teofania que frequentemente é interpretado como uma manifestação pré-encarnada do Cristo. O texto não diz que Agar encontrou o anjo, mas sim que o anjo a encontrou. Novamente vemos sempre a iniciativa divina na busca dos perdidos, assim como foi no caso de Adão e Eva no jardim, e assim como foi com Caim quando a sua oferta não foi aceita. Nos versículos 8 ao 11, vemos o anjo do Senhor chamando Agar pelo nome, demonstrando que Deus não apenas conhece a condição em que Agar estava, mas também a sua identidade. Ele lhe faz uma pergunta que revela tanto sua situação presente, de onde vens, quanto o seu futuro? Para onde vais? Essas duas perguntas são feitas não porque o anjo não sabe as respostas, mas para levar Agar a uma reflexão sobre o que ela estava fazendo. O anjo não apenas demonstra saber quem ela era, mas também lhe faz uma promessa acerca da criança que nasceria. E o seu nome seria Ismael, que significa Deus ouve. Ismael é nomeado antes mesmo de nascer, assim como Isaque o será mais tarde. Isso mostra que embora Ismael não seja o filho da promessa messiânica descrita em Gênesis 15, ele não está fora da providência de Deus. Deus. Os versículos 12 a 16 encontramos a descrição em que Ismael é apresentado como um homem selvagem. Vemos isso no versículo 12. Essa expressão não é uma maldição moral, mas uma caracterização de um povo livre, indomável, que viverá em guerra com seus irmãos. Diante da fala do anjo, Agar responde com uma confissão teológica extraordinária, em que ela diz: "Tu és o Deus que me vê". Agar é a única pessoa na escritura que dá um nome a Deus. E isto de fato é surpreendente, pois este nome que é dado a Deus não vem do patriarca Abraão, nem da matriarca Sarai, mas sim de uma simples serva estrangeira por nome Agar. Este nome dado ao Senhor Deus revela um atributo pastoral do Senhor, que ele é aquele que vê o sofrimento silencioso. Ele é aquele que vê a injustiça não verbalizada, o choro no deserto, como uma viva lembrança daquilo que fora feito naquele deserto com Agar. Um poço recebe o nome de Berlarroi, que significa o poço do vivente que me vê. O deserto que inicialmente foi o lugar de fuga, agora torna-se o lugar da revelação. Em Gênesis 16 vemos Cristo sendo manifesto de múltiplas formas. Assim como Agar estava perdida, a humanidade também se encontra perdida no deserto do pecado. E assim como o anjo veio ao encontro de Agar, assim também Cristo veio ao nosso encontro nos resgatar do deserto do pecado. O anjo do Senhor que vê e chama pelo nome e envia Agar de volta, antecipa aquilo que Cristo iria fazer. Cristo é aquele que vê, é aquele que nos chama ao arrependimento, é aquele que nos oferece a redenção por meio do seu sangue. O apóstolo Paulo interpreta esse episódio alegoricamente em Gálatas 4, onde Agar representa a tentativa de herdar a promessa pela carne, pelas obras, enquanto Sarai representa a promessa recebida pela fé. O texto, portanto, nos adverte contra um cristianismo meramente pragmático, sem a dependência do Espírito Santo. A pressa espiritual acaba gerando complicações espiritual acaba gerando complicações duradouras. Nem tudo que é aceito em nossa sociedade significa que será aceito diante de Deus. Deus. Gênesis 16 nos mostra que a fé verdadeira não é apenas crer na promessa, mas confiar no caráter do Deus que nos vê e chama pelo nome. Fim do Capítulo