Devocional

Gênesis 17

Reflexão

Que Promete Gênesis capítulo 17 começa com uma informação crucial. 13 anos haviam-se passado desde o nascimento de Ismael, citado em Gênesis capítulo 16. Versículo 16. Durante esse período, o texto bíblico registra o silêncio divino. Esse intervalo de silêncio não é acidental. Deus frequentemente trabalha muito mais profundamente em nós durante os tempos em que ele permanece em silêncio. Em Gênesis 17 versículos 1 a 6, Abraão agora tem 99 anos, idade em que toda esperança natural de descendência está completamente esgotada. É nesse cenário que Deus aparece novamente, revelando-se como El Shadai, o Deus todo poderoso. O nome enfatiza que o cumprimento da promessa não dependerá da capacidade A ordem divina é muito clara para Abraão: "Anda na minha presença e seja perfeito". A palavra perfeito não significa impecabilidade moral, mas significa integridade, uma vida alinhada com a vontade de Deus. Aliança com Deus exige fé que se traduz em obediência. Os versículos 7 e 8 vemos Deus reafirmando sua aliança com Abraão, agora explicitamente chamada de aliança perpétua. Aqui a promessa não se restringe apenas a um filho, mas a uma multiplicidade de nações. O foco destes versículos se desloca da ansiedade humana para a iniciativa graciosa de Deus. O ponto central deste capítulo é que Deus não apenas promete algo a Abraão, ele transforma quem Abraão é. Aliança não é apenas funcional ter descendência, mas relacional pertencer a Deus. Abraão, que significa pai exaltado, passa agora a se chamar Abraão, pai de muitas nações. Na escritura, mudar o nome de alguém é um sinal de mudança de identidade e de mudança de missão. O mais impressionante é que Deus muda o nome de Abraão antes mesmo do milagre acontecer. A nova identidade precede a nova realidade. Deus chama Abraão de pai quando ele ainda não tem o filho prometido. Isso revela uma grande verdade: Deus nos chama pelo que ele prometeu fazer em nós e não apenas pelo que somos agora. Em Gênesis 17 versículos 9 a 16, Deus estabelece um sinal da aliança entre ele e Abraão com seus descendentes. Este sinal da aliança é a circuncisão. No contexto do Antigo Testamento, a circuncisão simboliza consagração, separação e pertencimento. A marca no corpo aponta para uma verdade que passaria de geração para geração, que o povo da aliança, os descendentes de Abraão, pertencem inteiramente ao Senhor. Contudo, o próprio Antigo Testamento já aponta que o sinal externo, à circuncisão, não é suficiente. Moisés e os profetas falarão da necessidade de uma circuncisão também do coração, como é registrado em Deuteronômio, capítulo 10, versículo 16. Em Gênesis, capítulo 17 versículos 17 a 27, vemos Abraão rindo diante do cumprimento da promessa em que ele seria pai de nações. O seu riso não é de escárnio, mas de espanto diante do improvável. Mesmo assim, ele ainda tenta negociar com Deus, dizendo: "Tomara que Ismael viva diante de ti". Isso revela como o coração humano tende a se apegar soluções alternativas, mesmo após ouvir novamente a promessa divina. Deus, porém, é enfático com Abraão. Sara te dará um filho e o seu nome será Isaque, que significa riso. O riso da incredulidade de Abraão seria transformado no riso da alegria. Diante da promessa de um filho que viria de Sara, Ismael não é rejeitado por Deus. Ele também recebe promessa e bênçãos que viriam do Senhor. Contudo, Deus deixa muito claro para Abraão que a aliança redentiva seguirá por meio de Isaque. A eleição divina não é injustiça, mas é graça soberana de Deus. Gênesis 17, portanto, aponta para a aliança perpétua que vai se cumprir plenamente por meio da nova aliança em Cristo. Como é dito em Lucas 22:20, a circuncisão, que era um símbolo no Antigo Testamento da aliança entre Deus e o seu povo, agora seria substituída no Novo Testamento por meio do sangue de Cristo que seria derramado na cruz. Abraão seria uma bênção para todas as nações. Não porque ele tivesse algo a oferecer, mas é porque por meio dele é que viria o Messias de Israel. A certeza agora por meio de Cristo que o nosso sorriso que nos foi tirado no Éden em virtude do pecado, agora em Cristo, ele retornou. Pois uma vez mais temos comunhão com o Pai. Gênesis 17 nos ensina que o Deus da aliança é o Deus que transforma nomes, destinos e histórias. E que este mesmo Deus exige fé em suas promessas, que não basta apenas uma circuncisão externa, mas também é necessária uma circuncisão interna em nossos corações. Não adianta mudarmos apenas a aparência se o nosso coração também não for transformado.