Leitura
2 Samuel 19–20
Capítulo 19
1Disseram a Joabe:
― O rei anda chorando e se lamentando por Absalão.
2A vitória daquele dia se transformou em luto para todo o exército, porque as tropas ouviram dizer: “O rei está de luto por seu filho”. 3Naquele dia, o exército entrou furtivamente na cidade, como fazem os que fogem humilhados da batalha. 4O rei, com o rosto coberto, gritava:
― Ah, meu filho Absalão! Ah, Absalão, meu filho, meu filho!
Joabe repreende Davi
5Então, Joabe entrou no palácio e foi falar com o rei:
― Hoje humilhaste todos os teus soldados, os quais salvaram a tua vida, bem como a dos teus filhos e filhas, e a das tuas mulheres e concubinas. 6Amas os que te odeiam e odeias os que te amam. Hoje deixaste claro que os comandantes e os seus soldados nada significam para ti. Vejo que ficarias satisfeito se hoje Absalão estivesse vivo e todos nós estivéssemos mortos. 7Agora, vai e encoraja os teus soldados! Juro pelo Senhor que, se não fores, nem um só deles permanecerá contigo esta noite, o que para ti seria pior do que todas as desgraças que já te aconteceram desde a tua juventude.
8Então, o rei levantou‑se e sentou‑se à porta da cidade. Quando o exército soube que o rei estava sentado à porta, todos os soldados juntaram‑se a ele.
Davi retorna para Jerusalém
Enquanto isso, os israelitas fugiram para casa. 9Em todas as tribos de Israel, o povo discutia, dizendo:
― O rei nos livrou das mãos dos nossos inimigos; foi ele que nos libertou dos filisteus, e agora fugiu do país por causa de Absalão. 10Já Absalão, a quem tínhamos ungido rei, morreu em combate. Por que não falam em trazer o rei de volta?
11Quando chegou aos ouvidos do rei o que todo o Israel estava comentando, Davi mandou a seguinte mensagem aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Perguntem às autoridades de Judá: ‘Por que vocês seriam os últimos a conduzir o rei de volta ao seu palácio? 12Vocês são meus irmãos, sangue do meu sangue!19.12 Hebraico: o meu osso e a minha carne; também no versículo 13. Por que seriam os últimos a ajudar no meu retorno?’. 13Digam a Amasa: ‘Você é sangue do meu sangue! Que Deus me castigue com todo o rigor se, de agora em diante, você não for o comandante do meu exército em lugar de Joabe’ ”.
14As palavras de Davi conquistaram o coração de todos os homens de Judá, de modo que eles mandaram dizer ao rei: “Volta com todos os teus servos”. 15Então, o rei voltou e chegou ao Jordão.
Os homens de Judá foram a Gilgal, ao encontro do rei, para ajudá‑lo a atravessar o Jordão. 16Simei, filho de Gera, benjamita de Baurim, desceu depressa com os homens de Judá para encontrar‑se com o rei Davi. 17Com ele estavam outros mil benjamitas e também Ziba, servo da casa de Saul, com os seus quinze filhos e vinte servos. Eles entraram no Jordão antes do rei 18e atravessaram o rio a fim de ajudar a família real na travessia e fazer o que o rei desejasse.
Simei, filho de Gera, atravessou o Jordão, prostrou‑se diante do rei 19e lhe disse:
― Que o meu senhor não leve em conta o meu crime nem te lembres do mal que o teu servo cometeu no dia em que o rei, meu senhor, saiu de Jerusalém. Que o rei não pense mais nisso! 20Eu, teu servo, reconheço que pequei. Por isso, de toda a tribo de José, fui o primeiro a vir ao encontro do rei, meu senhor.
21Então, Abisai, filho de Zeruia, disse:
― Simei amaldiçoou o ungido do Senhor; ele deve ser morto!
22Davi respondeu:
― O que vocês têm com isso, filhos de Zeruia? Acaso se tornaram agora meus adversários? Deve alguém ser morto hoje em Israel? Ou não tenho hoje a garantia de que voltei a reinar sobre Israel?
23O rei prometeu a Simei sob juramento:
― Você não será morto.
24Mefibosete, neto de Saul, também foi ao encontro do rei. Ele não havia lavado os pés nem aparado a barba nem lavado as roupas, desde o dia em que o rei partira até o dia em que voltou em segurança. 25Quando chegou de Jerusalém e se encontrou com o rei, este lhe perguntou:
― Por que você não foi comigo, Mefibosete?
26Ele respondeu:
― Ó rei, meu senhor! Eu, teu servo, sendo aleijado, mandei selar o meu jumento para montá‑lo e acompanhar o rei, mas o meu servo me enganou. 27Ele falou mal do teu servo ao rei, meu senhor. Tu és como um anjo de Deus! Faz o que for bom aos teus olhos. 28Todos os descendentes do meu avô nada mereciam do meu senhor e rei, senão a morte. Entretanto, deste a teu servo um lugar entre os que comem à tua mesa. Que direito tenho eu, pois, de te pedir qualquer outro favor?
29Então, o rei lhe disse:
― Você já disse o suficiente. A minha decisão é que você e Ziba dividam a propriedade.
30Mefibosete, porém, disse ao rei:
― Deixa que ele fique com tudo, agora que o rei, meu senhor, chegou em segurança ao seu lar.
31Barzilai, de Gileade, também saiu de Rogelim, acompanhando o rei até o Jordão, para despedir‑se dele. 32Barzilai era bastante idoso; tinha oitenta anos. Foi ele que sustentou o rei durante a sua permanência em Maanaim, pois era muito rico. 33O rei disse a Barzilai:
― Venha comigo para Jerusalém, e eu cuidarei de você.
34Barzilai, porém, respondeu:
― Quantos anos de vida ainda me restam, para que eu vá com o rei e viva com ele em Jerusalém? 35Já fiz oitenta anos. Como eu poderia distinguir entre o que é bom e o que é mau? O teu servo mal pode sentir o gosto daquilo que come e bebe. Nem consigo apreciar a voz de cantores e cantoras! Eu seria mais um peso para o rei, meu senhor. 36O teu servo acompanhará o rei um pouco mais, atravessando o Jordão, mas não há motivo para uma recompensa dessa. 37Permite que o teu servo volte, para que eu possa morrer na minha própria cidade, perto do túmulo do meu pai e da minha mãe. Aqui, porém, está o meu servo Quimã. Que ele vá com o meu senhor, o rei. Faz por ele o que for bom aos teus olhos!
38O rei disse:
― Quimã virá comigo! Farei por ele o que você achar melhor. Tudo o mais que você desejar de mim, eu o farei por você.
39Então, todo o exército atravessou o Jordão, e também o rei o atravessou. O rei beijou Barzilai e o abençoou, e Barzilai voltou para casa.
40O rei seguiu para Gilgal, e Quimã foi com ele. Todo o exército de Judá e a metade do exército de Israel acompanharam o rei.
41Logo os homens de Israel chegaram ao rei para reclamar:
― Por que os nossos irmãos, os de Judá, sequestraram o rei e o levaram para o outro lado do Jordão, como também a família dele e todos os seus homens?
42Todos os homens de Judá responderam aos israelitas:
― Fizemos isso porque o rei é nosso parente mais próximo. Por que vocês estão irritados? Acaso comemos das provisões do rei ou tomamos dele alguma coisa?
43Então, os israelitas disseram aos homens de Judá:
― Somos dez com o rei; e muito maior é o nosso direito sobre Davi do que o de vocês. Por que nos desprezam? Nós fomos os primeiros a propor o retorno do nosso rei!
Contudo, os homens de Judá responderam ainda mais asperamente do que os israelitas.
Capítulo 20
A rebelião de Seba contra Davi
1Também estava lá um homem perverso chamado Seba, filho de Bicri, de Benjamim. Ele tocou a trombeta e gritou:
“Não temos parte alguma com Davi,
nenhuma herança com o filho de Jessé!
Todos de volta para casa, ó Israel!”.
2Então, todos os homens de Israel abandonaram Davi para seguir Seba, filho de Bicri. Os de Judá, porém, permaneceram com o seu rei e o acompanharam desde o Jordão até Jerusalém.
3Quando Davi voltou ao palácio, em Jerusalém, mandou confinar em uma casa, sob guarda, as dez concubinas que tinha deixado tomando conta do palácio. Ele as sustentou, mas nunca mais teve relações sexuais com elas. Ficaram confinadas, vivendo como viúvas até a morte.
4O rei disse a Amasa:
― Convoque os homens de Judá e, dentro de três dias, apresente‑se aqui com eles.
5Amasa, porém, levou mais tempo para convocar Judá do que o prazo estabelecido pelo rei.
6Então, Davi disse a Abisai:
― Agora Seba, filho de Bicri, será pior para nós do que Absalão. Chame os meus soldados e persiga‑o, antes que ele encontre alguma cidade fortificada e, depois, nos arranque os olhos.20.6 Ou escape de nós.
7Assim, os soldados de Joabe, os queretitas, os peletitas e todos os guerreiros saíram de Jerusalém para perseguir Seba, filho de Bicri.
8Quando estavam junto à grande rocha de Gibeom, Amasa encontrou‑se com eles. Joabe vestia seu traje militar e tinha um cinto com um punhal na bainha. Ao aproximar‑se de Amasa, deixou cair a adaga.
9― Como vai, meu irmão? — disse Joabe, pegando Amasa pela barba com a mão direita para beijá‑lo.
10Amasa, não percebendo o punhal na mão esquerda de Joabe, foi por ele golpeado no estômago. As suas entranhas se derramaram no chão, e ele morreu, sem necessidade de um segundo golpe. Então, Joabe e Abisai, o seu irmão, perseguiram Seba, filho de Bicri.
11Um dos soldados de Joabe ficou ao lado do corpo de Amasa e disse:
― Quem estiver do lado de Joabe e de Davi, que siga Joabe!
12Amasa jazia em uma poça de sangue no meio da estrada. Quando o homem viu que todos os que se aproximavam do corpo de Amasa paravam, arrastou‑o para fora da estrada e o cobriu com um manto. 13Depois que o corpo de Amasa foi retirado da estrada, todos os homens seguiram com Joabe em perseguição a Seba, filho de Bicri.
14Seba atravessou todas as tribos de Israel e chegou até Abel-Bete-Maaca,20.14 Ou Abel, incluindo Bete-Maaca; também no versículo 15. e todos os bicritas20.14 Conforme a Septuaginta e a Vulgata. O Texto Massorético traz beritas. se reuniram para segui‑lo. 15O exército de Joabe veio, cercou Seba em Abel-Bete-Maaca e construiu contra a cidade uma rampa que chegou até a muralha. Quando o exército de Joabe estava para derrubar o muro, 16uma mulher sábia gritou da cidade:
― Ouçam! Ouçam! Digam a Joabe que venha aqui para que eu fale com ele.
17Quando ele se aproximou, a mulher perguntou:
― Tu és Joabe?
Ele respondeu:
― Sim.
Ela disse:
― Ouve o que a tua serva tem para dizer‑te.
― Estou ouvindo — disse ele.
18Ela prosseguiu:
― Antigamente se dizia: “Peça conselho na cidade de Abel”, e isso resolvia a questão. 19Nós somos pacíficos e fiéis em Israel. Tu procuras destruir uma cidade que é mãe em Israel. Por que queres arruinar a herança do Senhor?
20Joabe respondeu:
― Longe de mim uma coisa dessa! Longe de mim arruinar e destruir esta cidade! 21Não é esse o problema. Um homem chamado Seba, filho de Bicri, dos montes de Efraim, rebelou‑se contra o rei Davi. Entreguem‑me esse homem, e iremos embora.
― Muito bem — disse a mulher —, a cabeça dele será lançada a ti do alto do muro.
22Então, a mulher foi falar com todo o povo, dando o seu sábio conselho, e eles cortaram a cabeça de Seba, filho de Bicri, e a jogaram para Joabe. Ele tocou a trombeta, e os seus homens se dispersaram, abandonaram o cerco da cidade, e cada um voltou para a sua casa. Joabe voltou para junto do rei, em Jerusalém.
Os oficiais de Davi
23Joabe comandava todo o exército de Israel;
Benaia, filho de Joiada, comandava os queretitas e os peletitas;
24Adonirão20.24 Conforme alguns manuscritos da Septuaginta. O Texto Massorético traz Adorão. Veja 1Rs 4.6 e 5.14. era chefe do trabalho forçado;
Josafá, filho de Ailude, era secretário;
25Seva era escriba;
Zadoque e Abiatar eram sacerdotes;
26Ira, de Jair, era sacerdote de Davi.
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