Devocional

Gênesis 5

Reflexão

Os dois primeiros versículos deste capítulo param tudo para nos lembrar da nossa origem. Não somos um acidente biológico, mas um projeto documentado por Deus. O autor inspirado por Deus volta à linguagem usada por ele em Gênesis capítulo 1, versículos 26 e 27. Apesar do pecado ter entrado no mundo, o texto afirma que a imagem de Deus no homem não foi destruída. Ela foi manchada pelo pecado, mas a dignidade do ser humano como espelho do Criador ainda permanece. Encontramos uma observação importante em Gênesis capítulo 5, versículos 3 a 5: Adão e Eva não tiveram apenas filhos, mas também filhas. Esta observação é fundamental para compreendermos o povoamento da terra e a origem da esposa de Caim, citada em Gênesis, capítulo 4. No início da história humana, para que o mandato de Deus de crescer e multiplicar fosse cumprido, o casamento entre parentes próximos era uma necessidade biológica e providencial. Após Sete, filho de Adão e Eva, Adão viveu 800 anos e gerou outros filhos e filhas, cumprindo o mandato divino de multiplicar-se e encher a terra. O parágrafo encerra sempre com a mesma frase repetida praticamente no final de cada apresentação de personagem: "e morreu". Por mais que eles pudessem viver, ainda assim a morte era um fato para eles, servindo como um lembrete profundo de que a sentença de Gênesis 3:19 estava sendo rigorosamente executada. Genealogia da humanidade primitiva Gênesis capítulo 5, versículos 6 a 32 apresenta um obituário da humanidade primitiva. A repetição exaustiva da sentença "e morreu" nos versículos 8, 11, 14, 17, 20, 27 e 31 prova que ninguém, nem mesmo os homens de longevidade extraordinária, como Metusalém, poderia escapar da condenação imposta no Éden. Contudo, no coração desta genealogia de luto surge a figura de Enoque, dos versículos 21 ao 24, como uma exceção. Ao afirmar que Enoque andou com Deus e já não era porque Deus o levou para si, como é descrito no versículo 24, o texto rompe o ritmo fúnebre para nos ensinar que o relacionamento íntimo com o Criador é a única força capaz de vencer a fatalidade da morte. Enoque não foi poupado da morte por sua própria justiça, mas porque suas raízes estavam tão profundas na presença de Deus que ele foi transladado para a fonte da vida sem passar pelo túmulo. Ele se torna o primeiro grande sinal de esperança em toda a Bíblia, apontando para a promessa da vida eterna e para a futura vitória de Cristo sobre a morte.