Devocional

Gênesis 6

Reflexão

Como se foram multiplicando os homens na terra, eles nasceram filhas. Vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que entre todas mais lhes agradavam. O debate sobre quem seriam esses filhos de Deus no hebraico, Benerá ou Elohim, é um dos mais complexos da Bíblia. Mesmo entre os mais renomados comentaristas bíblicos, não existe uma concordância sobre quem seriam esses filhos de Deus. A primeira linha seria a visão da linhagem cetita, em que os filhos de Deus seriam os descendentes de sete que se misturaram com a linhagem ímpia de Caim, esta última explica a corrupção da linhagem da promessa por meio de casamentos mistos. A segunda linha seria a visão sobrenatural de anjos, baseada em Jó 1:6 e na tradição judaica antiga, que sugere que seres angelicais caídos coabitaram com as mulheres humanas, gerando os nefilins, gigantes daquele tempo. No entanto, eu me sinto muito inclinado a entender que a primeira linha de entendimento seja a mais viável, em que os filhos de Deus citados ali seriam os descendentes de sete, filho de Adão e Eva, que se envolveram com as descendentes de Caim. Em Gênesis capítulo 6 versículo 5 a 9, é revelada uma tensão entre a soberania de Deus e a liberdade humana, apresentando uma radiografia da depravação total e contínua do homem. O arrependimento divino não é para sugerir que Deus tenha mudado ou que ele tenha errado, mas para expressar a rebelião contra sua santidade, exige justiça e juízo sobre uma criação que se tornou rebelde do seu propósito original. Ainda que aquela sociedade caminhasse a passos largos para o pecado, o texto diz: "Porém Noé achou graça diante do Senhor." No capítulo 6, versículos 11 a 13, o texto reforça o diagnóstico da Terra com uma palavra chave, a violência. A corrupção atingiu toda a carne, indicando um colapso moral sistêmico que tornou o mundo inabitável para a santidade de Deus. O versículo 13 descreve Deus explicando para Noé o que ele iria fazer com aquela geração corrompida, demonstrando que sua paciência havia chegado ao fim. No capítulo 6, versículos 14 a 22, o Senhor Deus explica para Noé que diante do julgamento iminente que se abateria sobre a terra por meio de um dilúvio, Noé deveria construir uma grande embarcação, uma embarcação que fosse capaz de comportar não apenas Noé e sua esposa, mas também os seus três filhos, com as suas três noras e um par de cada espécie. Noé também deveria levar provisões para eles e para os animais que estariam com eles naquele grande barco. Todos aqueles que estivessem fora do grande barco que seria construído por Noé, o dilúvio iria chegar e todos eles iriam perecer. O capítulo 6 encerra deixando claro que Noé fez exatamente o que Deus havia ordenado. Mesmo que um dilúvio naquelas proporções anunciadas por Deus parecesse impossível, Noé, pela fé confiou nas palavras de Deus e se preparou para o juízo que em breve chegaria sobre toda a humanidade. Assim como a arca de Noé seria um meio usado por Deus para livrar Noé e a sua família do juízo que estava se aproximando, Cristo é a arca providenciada por Deus para nós, para que por meio dele também nós possamos escapar do juízo iminente de Deus.