Leitura
Gênesis 28–30
Capítulo 28
1Então, Isaque chamou Jacó, o abençoou e lhe ordenou:
― Não se case com mulher cananeia. 2Vá a Padã-Arã,28.2 Isto é, a região noroeste da Mesopotâmia; também nos versículos 5‑7. à casa de Betuel, o seu avô materno, e case‑se com uma das filhas de Labão, irmão da sua mãe. 3Que o Deus Todo-poderoso28.3 Hebraico: El-Shadai. o abençoe, faça‑o fértil e o multiplique, para que você se torne uma comunidade de povos. 4Que ele dê a você e à sua descendência a bênção de Abraão, para que você possua a terra na qual vive como estrangeiro, a terra dada por Deus a Abraão.
5Então, Isaque despediu Jacó, e este foi a Padã-Arã, ao filho do arameu Betuel, Labão, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú.
6Esaú viu que Isaque havia abençoado Jacó e o havia mandado a Padã-Arã para escolher ali uma mulher e que, ao abençoá‑lo, lhe dera a ordem de não se casar com mulher cananeia. 7Também soube que Jacó obedecera ao seu pai e à sua mãe e fora para Padã-Arã. 8Percebendo Esaú que Isaque, o seu pai, não aprovava as mulheres cananeias, 9foi à casa de Ismael e casou‑se com Maalate, irmã de Nebaiote, filha de Ismael, filho de Abraão, que foi acrescentada às outras esposas que ele já tinha.
O sonho de Jacó em Betel
10Jacó partiu de Berseba e foi para Harã. 11Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porque o sol já se havia posto. Tomando uma das pedras do local, colocou‑a sob a cabeça para deitar‑se. 12Ali sonhou que havia uma escadaria que se erguia da terra cujo topo alcançava os céus e pela qual os anjos de Deus subiam e desciam. 13Acima dela, em pé, estava o Senhor, que lhe disse:
― Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, o seu pai, e o Deus de Isaque. Darei a você e à sua descendência a terra na qual você está deitado. 14Os seus descendentes serão como o pó da terra e se espalharão para o oeste e para o leste, para o norte e para o sul. Todas as famílias da terra serão abençoadas por meio de você e da sua descendência. 15Eu estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá, e o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi.
16Quando Jacó acordou do sono, disse:
― Sem dúvida, o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia!
17Com muito medo, ele disse:
― Temível é este lugar! Não é outro senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus.
18Na manhã seguinte, Jacó levantou‑se cedo, pegou a pedra que havia posto sob a cabeça, colocou‑a em pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo. 19Ele deu àquele lugar o nome de Betel,28.19 Betel significa casa de Deus. embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.
20Então, Jacó fez um voto, dizendo:
― Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover‑me de comida e roupa 21e levar‑me de volta são e salvo à casa do meu pai, então o Senhor será o meu Deus, 22e esta pedra que hoje pus como coluna será casa de Deus, e, de tudo o que me deres, certamente te darei o dízimo.
Capítulo 29
Jacó chega a Padã-Arã
1Então, Jacó seguiu viagem e chegou à terra dos povos do oriente. 2Olhando ao redor, viu um poço no campo e três rebanhos de ovelhas deitadas por perto, pois os rebanhos bebiam daquele poço, que era tapado por uma grande pedra. 3Por isso, quando todos os rebanhos se reuniam ali, os pastores rolavam a pedra da boca do poço e davam água às ovelhas. Depois, recolocavam a pedra no lugar sobre o poço.
4Jacó perguntou aos pastores:
― Meus irmãos, de onde vocês são?
― Somos de Harã — responderam.
5― Vocês conhecem Labão, neto de Naor? — perguntou‑lhes Jacó.
Eles responderam:
― Sim, nós o conhecemos.
6Então, Jacó perguntou:
― Ele vai bem?
Eles responderam:
― Sim, vai bem. Veja! Ali vem Raquel, a filha dele, com as ovelhas.
7Ele disse:
― Olhem, ainda é pleno dia, e não é hora de recolher os rebanhos. Deem de beber às ovelhas e levem‑nas de volta para pastar.
8Eles, porém, responderam:
― Não podemos, enquanto todos os rebanhos não se agruparem e a pedra não for removida da boca do poço. Só então daremos de beber às ovelhas.
9Ele ainda estava conversando, quando chegou Raquel com as ovelhas do seu pai, pois ela era pastora. 10Quando Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão da sua mãe, e as ovelhas de Labão, aproximou‑se, removeu a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas do seu tio Labão. 11Depois, Jacó beijou Raquel e começou a chorar bem alto. 12Ele contou a Raquel que era parente do pai dela e filho de Rebeca. Então, ela foi correndo contar tudo ao seu pai.
13Logo que Labão ouviu as notícias acerca de Jacó, o seu sobrinho, correu ao seu encontro. Ele o abraçou e beijou, levando‑o para casa. Jacó contou‑lhe tudo o que havia ocorrido. 14Então, Labão lhe disse:
― Você é osso dos meus ossos e carne da minha carne.
Jacó casa com Lia e com Raquel
Já fazia um mês que Jacó estava na casa de Labão, 15quando este lhe disse:
― Será que vai trabalhar de graça só por ser meu parente? Diga‑me qual deve ser o seu salário.
16Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Lia, e o da mais nova, Raquel. 17Lia tinha olhos meigos,29.17 Ou tenros. mas Raquel era bonita e atraente. 18Como Jacó amava Raquel, disse:
― Trabalharei para o senhor sete anos em troca de Raquel, a sua filha mais nova.
19Labão respondeu:
― Será melhor dá‑la a você do que a outro homem. Fique aqui comigo. 20Então, Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava.
21Então, Jacó disse a Labão:
― Entregue‑me a minha mulher. Cumpri o prazo previsto e quero deitar‑me com ela.
22Labão reuniu todo o povo daquele lugar e deu uma festa. 23Quando a noite chegou, no entanto, trouxe a sua filha Lia e a entregou a Jacó, que se deitou com ela. 24Labão também entregou a serva Zilpa à sua filha, para que ficasse a serviço dela.
25Ao amanhecer, lá estava Lia. Então, Jacó disse a Labão:
― Que foi que o senhor me fez? Não foi por Raquel que eu trabalhei para o senhor? Por que o senhor me enganou?
26Labão respondeu:
― Aqui não é costume entregar em casamento a filha mais nova antes da mais velha. 27Complete a semana de núpcias desta filha, e daremos a você também a outra, em troca de mais sete anos de trabalho para mim.
28Foi isso que Jacó fez. Quando completou a semana de núpcias da primeira, Labão lhe deu a sua filha Raquel por mulher. 29Para a filha Raquel, Labão deu a serva Bila, a fim de que ficasse a serviço dela. 30Jacó deitou‑se também com Raquel, a quem amava mais do que Lia, e trabalhou para Labão outros sete anos.
Os filhos de Jacó
31Quando o Senhor viu que Lia era desprezada, tornou‑a fértil; Raquel, porém, era estéril. 32Lia engravidou, deu à luz um filho e deu‑lhe o nome de Rúben,29.32 Em hebraico, Rúben soa como a frase ele viu a minha miséria e significa veja: um filho. pois dizia: “O Senhor viu a minha miséria. Agora certamente o meu marido me amará”.
33Lia engravidou de novo e, quando deu à luz outro filho, disse: “Porque o Senhor ouviu que eu sou desprezada, deu‑me também este”. Por isso, deu‑lhe o nome de Simeão.29.33 Simeão provavelmente significa aquele que ouve.
34De novo, engravidou e, quando deu à luz mais um filho, disse: “Agora finalmente o meu marido se apegará a mim, porque já lhe dei três filhos”. Por isso, deu‑lhe o nome de Levi.29.34 Em hebraico, Levi soa como o verbo que significa apegar.
35Engravidou ainda outra vez e, quando deu à luz mais outro filho, disse: “Desta vez, louvarei ao Senhor”. Por isso, deu‑lhe o nome de Judá.29.35 Em hebraico, Judá soa como o verbo que significa louvar. Depois disso, parou de ter filhos.
Capítulo 30
1Quando Raquel viu que não podia dar filhos a Jacó, teve inveja da sua irmã. Por isso, disse a Jacó:
― Dê‑me filhos, ou eu morrerei!
2Jacó ficou irritado com Raquel e disse:
― Por acaso, sou Deus? Foi ele quem a impediu de ter filhos.
3Então, ela respondeu:
― Aqui está Bila, a minha serva. Deite‑se com ela, para que ela me dê filhos e, por meio dela, eu também possa formar uma família.
4Por isso, ela deu a Jacó a sua serva Bila por mulher. Ele deitou‑se com ela, 5e Bila engravidou e deu‑lhe um filho. 6Então, Raquel disse: “Deus me fez justiça; também ouviu o meu clamor e me deu um filho”. Por isso, deu‑lhe o nome de Dã.30.6 Dã significa ele faz justiça.
7Bila, serva de Raquel, engravidou novamente e deu a Jacó o segundo filho. 8Então, Raquel disse: “Tive grande luta com a minha irmã e venci”. Por isso, deu‑lhe o nome de Naftali.30.8 Naftali significa o meu combate.
9Quando Lia viu que tinha parado de ter filhos, tomou a sua serva Zilpa e a deu a Jacó por mulher. 10Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó um filho. 11Então, Lia disse: “Que grande sorte!”.30.11 Ou “Uma tropa está vindo!”. Por isso, deu‑lhe o nome de Gade.30.11 Gade significa sorte.
12Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó um segundo filho. 13Então, Lia disse: “Como sou feliz! As mulheres dirão que sou feliz”. Por isso, deu‑lhe o nome de Aser.30.13 Aser significa feliz.
14Durante a colheita do trigo, Rúben saiu ao campo, encontrou algumas mandrágoras30.14 As mandrágoras eram plantas consideradas afrodisíacas que favoreciam a fertilidade feminina. e as trouxe para Lia, a sua mãe. Então, Raquel disse a Lia:
― Dê‑me, por favor, algumas das mandrágoras do seu filho.
15Ela, porém, respondeu:
― Você acha pouco ter tomado o meu marido? Vai tomar também as mandrágoras do meu filho?
Então, Raquel propôs:
― Por isso, Jacó se deitará com você esta noite em troca das mandrágoras do seu filho.
16Quando Jacó chegou do campo naquela tarde, Lia saiu ao seu encontro e lhe disse:
― Hoje você se deitará comigo, pois eu adquiri esse direito com as mandrágoras do meu filho.
Naquela noite, ele se deitou com ela.
17Deus ouviu Lia, ela engravidou e deu a Jacó o quinto filho. 18Então, Lia disse: “Deus me recompensou por ter dado a minha serva ao meu marido”. Por isso, deu‑lhe o nome de Issacar.30.18 Em hebraico, Issacar soa como a palavra que significa recompensa.
19Lia engravidou de novo e deu a Jacó o sexto filho. 20Ela disse: “Deus presenteou‑me com uma dádiva preciosa. Agora o meu marido me honrará; afinal, já lhe dei seis filhos”. Por isso, deu‑lhe o nome de Zebulom.30.20 Em hebraico, Zebulom soa como o verbo que significa exaltar ou honrar.
21Algum tempo depois, ela deu à luz uma menina, a quem deu o nome de Diná.
22Então, Deus lembrou‑se de Raquel; ele a ouviu e a tornou fértil. 23Ela engravidou, deu à luz um filho e disse: “Deus tirou de mim a minha desonra”. 24Deu‑lhe o nome de José30.24 José significa que ele acrescente. e disse: “Que o Senhor me acrescente ainda outro filho”.
A riqueza de Jacó
25Depois que Raquel deu à luz José, Jacó disse a Labão:
― Deixe‑me voltar para a minha terra natal. 26Dê‑me as minhas mulheres, pelas quais lhe servi, e os meus filhos, e partirei. O senhor bem sabe quanto trabalhei para o senhor.
27Labão, porém, lhe disse:
― Se conto com o seu favor, peço‑lhe que fique. Por meio de adivinhação, descobri que o Senhor me abençoou por sua causa.
28Então, acrescentou:
― Fixe o seu salário, e eu lhe pagarei.
29Jacó lhe respondeu:
― O senhor sabe quanto trabalhei e como os seus rebanhos cresceram sob os meus cuidados. 30O pouco que o senhor possuía antes da minha chegada aumentou muito, pois o Senhor o abençoou desde que coloquei os meus pés aqui. Contudo, quando farei algo em favor da minha própria família?
31Então, Labão perguntou:
― Quanto você quer que eu lhe pague?
― Não quero pagamento algum — respondeu Jacó. — Se o senhor fizer por mim o que vou propor, continuarei cuidando dos seus rebanhos: 32hoje passarei por todos os seus rebanhos e tirarei do meio deles todas as ovelhas salpicadas e pintadas, todos os cordeiros pretos e todas as cabras pintadas e salpicadas. Eles serão o meu salário. 33Assim, a minha justiça dará testemunho de mim no futuro, toda vez que o senhor resolver verificar o meu salário. Se estiver em meu poder alguma cabra que não seja salpicada ou pintada, e algum cordeiro que não seja preto, poderá considerá‑los roubados.
34Labão disse:
― De acordo. Seja como você disse.
35Naquele mesmo dia, Labão separou todos os bodes listrados ou com manchas brancas, todas as cabras que tinham pintas ou manchas brancas e todos os cordeiros pretos e os pôs aos cuidados dos seus filhos. 36Afastou‑se, então, de Jacó, à distância equivalente a três dias de viagem, e Jacó continuou a apascentar o restante dos rebanhos de Labão.
37Jacó pegou galhos verdes de estoraque, amendoeira e plátano e neles fez listras brancas, descascando‑os parcialmente e expondo, assim, a parte branca interna dos galhos. 38Depois, fixou os galhos descascados nos bebedouros, para que ficassem na frente dos rebanhos quando viessem beber água. Na época do cio, os rebanhos vinham beber e 39se acasalavam diante dos galhos; assim, geravam filhotes listrados, salpicados e pintados. 40Jacó separava os filhotes do rebanho dos demais e os punha de frente para os animais listrados e pretos de Labão. Desse modo, foi formando o seu próprio rebanho, que separou do de Labão. 41Toda vez que as fêmeas mais fortes estavam no cio, Jacó colocava os galhos nos bebedouros, em frente dos animais, para que se acasalassem diante dos galhos; 42se, porém, os animais eram fracos, não os colocava ali. Desse modo, os animais fracos ficavam para Labão, e os mais fortes, para Jacó. 43Assim, o homem ficou extremamente rico, possuindo grandes rebanhos, servos e servas, camelos e jumentos.
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